Existindo

Viver de coragem não é fácil como na teoria. Lemos frases de efeito, histórias de superação, filmes e livros incríveis, músicas tão revolucionárias, tudo pra fazer parte disso. Mas viver todo dia, na sua realidade - que só você sabe - dá aquele frio na barriga, claro, existem aquelas exceções de pessoas tão, tão corajosas e cheias de força que aonde passam deixam a sua pequena revolução. Não faço parte disso. Não sei se a maioria também, ou se eu que seria a exceção. Faço parte dos que sentem medos súbitos, sonhos estranhamente contra mão, desejos tão pequenos, entretanto com significados marcantes em mim, incertezas tão grandes -desde qual suco escolher, a qual profissão seguir- Acabo enxergando as árvores tão grandes e fortificadas, e vez ou outra, me pego sonhando em como seria tranquilo ser uma delas, aonde as folhas caem neste inverno, e que na próxima estação se renascem mais cheias e com sua cor mais bonita do que outrora foi. Tem vezes, que queria ser um objeto qualquer, sem necessidade de significado algum e sem necessidade de querer respostas, ou ter que ouvir dizerem só o que seja bom para o ego um dos outros, reafirmando-os o tempo todo para acreditarem que são seguros de si, que são auto suficientes. Em momentos, queria ser o personagem principal do meu filme favorito, e já em outros, preferiria bem mais ser aquele amigo que não é tão atraente e nem chama tanta atenção, mas é mais resolvido consigo mesmo, com o que possui. Perceber que a vida passa e se faz nesses pequenos processos dolorosos, me fez ser resistente ao medo. Perceber que escondia de mim mesma quem poderia ser pra mim e sentir -me privando da minha estranheza existência- me fez querer respirar de um modo diferente que respirava, sem o peso do medo que pairava em meus ombros, me lembrando diariamente que tudo pode dar errado, que minhas ideias são horríveis, que as pessoas podem não me aceitar ou não achar minhas escolhas especiais ou significantes, que podem não querer parar para apreciar o outro, me olhando torto por querer aprecia-las sem nada em troca. E, tanto faz agora. Foi quando vi que, nos aterrorizamos ao olhar pra dentro, pro outro. Compensa mais viver na superfície, controlando a maré, estando no raso, levando os outros até o raso, já que dá medo de se jogar na onda gigante que não para, nem por um segundo, lá no fundo, ela assusta. No final, somos uma junção de rasos, que fingem ser profundos, seguros, absolutos e corajosos.


Rebeca Lima

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